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ELEMENTO EUROPEU

nhou. Depois o rei mandou correr toda a cidade para vêr se achava-se a dona d'aquelle chapim, e o outro seu companheiro. Experimentou-se o chapim nos pés de todas as moças e nada. Afinal só faltavam ir á casa de Maria Borralheira. Lá foram. A dona da casa apresentou as filhas que tinha; ellas, com seus cascos de cavallo, quasi machucaram o chapim todo, e os guardas gritaram: «Virgem Nossa Senhora! Deixem, deixem!…» Perguntaram si não havia alli mais ninguem. A dona da casa respondeu: «Não, ahi tem sómente uma pobre cozinheira, porca, que não vale a pena mandar chamar.» Os encarregados da ordem do rei respondem que a ordem era para todas as moças sem excepção e chamaram pela Borralheira. Ella veio lá de dentro toda prompta como no ultimo dia da festa; vinha encantando tudo; foi mettendo o pésinho no chapim e mostrando o outro. Houve muita alegria e festas; a madrasta teve um ataque e cahiu para traz, e Maria foi para palacio e casou com o filho do rei.




XVI


A Madrasta


(Sergipe)

Havia um homem viuvo que tinha duas filhas pequenas, e casou-se pela segunda vez. A mulher era muito má para as meninas; mandava-as como escravas fazer todo o serviço e dava-lhes muito.

Perto de casa havia uma figueira que estava dando figos, e a madrasta mandava as enteadas botar sentido aos figos por causa dos passarinhos.