Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/209

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com a rainha; e lembre-se do que lhe aconteceu, por que:

— Favas, todas são favas, e mulheres todas são mulheres.

Assim ficou curado de tolo.

(Algarve.)




65. A VELHA DAS GALLINHAS

Havia uma velha, que estava sempre ao postigo até que horas. As filhas perguntavam-lhe:

— O que é que a mãe faz ahi ao postigo por essa noite adiante?

— Deixem-se lá, filhas, que é do postigo que as heide casar.

Passado tempo foi a velha ao palacio fallar á rainha:

— Venho aqui saber se vossa magestade quer mandar ensinar algumas das suas gallinhas a fallar?

— Hade ter sua graça! disse a rainha. Quero, quero.

E mandou-lhe entregar uma duzia de gallinhas. A velha foi para casa, e uns poucos de dias viveram á tripa larga, ella e mais as filhas, comendo gallinha cosida e assada, frita e fritangada. Quando se acabaram, tornou a velha ao palacio, e disse á rainha:

— Ai minha rica rainha, tenho uma paixão de estalar; as gallinhas já estavam fallando tão claro, que hoje tencionava vir entregal-as. Quando as estava ajuntando, ellas que começam n'uma cantarolada:

Có-co-ro-có, cá-ca-ra-cá
A nossa Rainha com o Cabra está.

— Eu ainda as quiz callar, mas as gallinhas disseram-me que do seu poleiro bem viram o conde Cabra entrar para o palacio; eu desesperada fechei-as, e venho saber o que quer vossa magestade que se faça.