Página:Contos Tradicionaes do Povo Portuguez.pdf/462

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Diz a aguia:

— Eu encontrei umas corujas pequenas n’um ninho, todas depennadas, sem bico, e com os olhos tapados, e comi-as; e como tu me disseste que os teus filhos eram muito lindos e tinham os biquinhos bem feitos entendi que não eram esses.

— Pois eram esses mesmos, disse a coruja.

— Pois então queixa-te de ti, que é que me enganaste com a tua cegueira.

(Porto.)



245. A BARATA E OS FILHOS

A barata sahiu de baixo de umas pedras com os filhos e disse-lhes em quanto elles ainda pequenos estavam ao sol:

— Passeae, flores! passeae, flores!

D’aqui vem ditado: «Quem o feio ama, bonito lhe parece.»

(Ilha de S. Miguel.)



246. A RAPOSA E O LOBO

A raposa e o lobo mataram dois carneiros e fugiram. Depois que se acharam seguros, deitaram-se a comer, mas só poderam comer um, e o outro ficou inteiro. Diz a raposa:

— Compadre, é melhor enterrarmos este carneiro, e vimos cá amanhã comel-o juntos.

Vae o lobo e diz-lhe:

— Mas nem eu nem tu temos faro, como é que o havemos tornar a achar?

— Deixa-se-lhe o rabo de fóra.

Assim se fez. No dia seguinte apresenta-se o lobo e diz: