Página:Diccionario Bibliographico Brazileiro v1.pdf/156

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primeira legislatura da eleição directa; fez parte do gabinete organisado pelo conselheiro Martinho Campos, occupando a pasta da marinha; é do conselho de sua magestade o Imperador, e official da ordem da Roza.

Escreveu:

Annotações e commentarios à lei de 20 de setembro de 1871 e regulamento de 22 de novembro do mesmo anno. Bahia, 1873, 282 pags. in-4.º


Antonio de Castro Alves — Filho do doutor Antonio José Alves, e de dona Angelica Gonçalves de Castro Alves, nasceu na Bahia a 14 de março de 1847 e falleceu a 6 de julho de 1871.

Desde sua entrada para o collegio em que estudara os primeiros rudimentos da lingua patria, revelou a mais beIla e robusta intelligencia, e mais tarde um verdadeiro genio para a poesia, em que não seria inferior a Gonçalves Dias, nem ao que mais alto subisse nesse ramo da litteratura, si não morresse tão joven.

Estudou na Bahia humanidades, e matriculou-se no curso de sciencias juridicas e sociaes na faculdade de Pernambuco, d'onde passou para a de S. Paulo, mas não chegou a formar-se por fallecer no quarto anno do dito curso. E entretanto, vivendo tão pouco, em sua ligeira passagem no mundo, solfreu amarguras bem crueis; porque amou loucamente sympathica actriz de uma companhia dramatica que lhe deu bem fel a tragar quando estudava em S. Paulo, e além disto n'uma caçada se disparou por triste fatalidade a arma que trazia, cravando-se-lhe n'um pé toda a carga, pelo que teve de sujeitar-se à amputação prescripta pela sciencia.

Em sua homa foi instituido no Rio de Janeiro um gremio litterario com o titulo de Castro Alves, e por esta associação foi celebrada uma sessão litteraria e musical pelo decennio de seu passamento, se publicando um livro em homenagem a Castro Alves, onde se encontram flores à sua memoria, offerecidas por não menos de 53 litteratos, alguns delles estrangeiros, como José Palmella.

O eloquente escriptor portuguez não se limitou a exaltar o desventurado poeta bahiano; exaltou igualmente a terra em que este vira a primeira luz, exprimindo-se por este modo :« Nascido na primogenita filha de Cabral, na terra de Rocha Pitta, de Muniz Barreto, Dantas, Paranhos, Deiró, Chagas Roza e tantos outros talentos que fulguram no céo da poesia, das bellas-artes, lettras e sciencias, e d'onde surgem os maiores estadistas e oradores do imperio, Castro Alves não podia deixar de revelar que era um abençoado filho daquella luxuosa terra, onde a natureza ergue-se em deslumbrantes thronos de esmeralda, coroados de perfumosas grinaldas, que ao-lançal-as para os céos — fazem cahir para a terra, como inebriados de amor e poesia — os proprios deuses! »

Moço de grandes esperanças e poeta maviosissimo, deixou Castra Alves muitas composições poeticas, que são geralmente apreciadas, e têm sido reproduzidas em todo imperio, quer em publicações periodicas,