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DOM JOAO VI NO BRAZIL 781

Essa falta de todo prepare industrial, junto com o in- teiro desconhecimento da hygiene e da prophylaxia, palavras vasias de significagao em semelhante meio mas nao em se- melhante epocha, continuando portanto a operar-se o antigo espraiar de bandeirantes sobre uma terra fecunda, suscepti- vel porem de deteriorar-se em sua excellencia e tornar-se safara; d outro lado a subsistencia dos latifundios, dos ter- renos doados, das sesmarias da conquista, difficultando a acquisicao da propriedade territorial com os foros, os arren- damentos a longo prazo com limitagao de cultivo dependente do valor do aluguel, e a faculdade para o senhor da terra de recobrar a plena propriedade d ella pelo pagamento das bem- feitorias avaliadas por terceiros, redundavam no aspecto de- solador da nossa lavoura mesquinha, arrancada aos bracos dos escravos sem real correspondencia entre o capital e os esforcos empregados, e os resultados obtidos.

Accresce que o Portuguez e por temperamento muito mais um explorador do que um colonizador. A sua tenden- cia e abrir caminhos, nao tanto estabelecer dominios no in terior dos continentes : quando muito, fundar feitorias pelos littoraes. "Nao era de esperar que fosse cultivar os certoens da America quern deixava sem cultura as ferteis campinas do Alemtejo e as colinas da Beira, e Tras os Montes" (i).

O favor official para tudo era precise n essas condi- qoes, mesmo para fazer florescer a industria particular, de pendente, segundo deveria ser, da iniciativa de cada um. A intervencao do Estado era porem tao constante e vexatoria que forca era que ella tambem se exercesse pela abstencao, de

��(1) Artigo sobre os Abusos e erros da Adminixtracao, em o Brazil, vol. I do Portugucz ; on Mcrcurio Politico, commercial e lite- rnrw. Ixradres, 1814-19.

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