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798 DOM JOAO VI NO BRAZIL

como a do padre Roma a Bahia, gragas a teimosia do capi- tao-mor do Crato, um velho malfeitor que para o crime se valia da sua auctoridade, e a energia do governador. Mau gra do quaesquer sympathias que intimamente despertasse n essas duas capitanias, nao conseguio a revolugao attrahir a sua orbita subversiva mais do que a Parahyba e o Rio Grande do Norte.

Este era o maior susto da corte, que o movimento se propagasse, effeito que Maler julgava inevitavel; e a facili- dade com que nas duas provincias satellites foram levadas de V encida as poucas, debeis resistencias levantadas, faz suppor uma corrnte occulta de solidariedade cujo circuito ja estivesse estabelecido, a menos que nao implique uma materia extremamente amorpha de experiencia demo-cratica. Nao podia, porem, ser este ultimo tanto o caso, porque no meio da geral apathia ignorante existia um nucleo illustrado, elemento directivo que entao exercia mais decidida influencia do que hoje, arrastando as vontades irresolutas e determi- nando as adhesoes inconscientes.

Semelhante elemento estivera sujeito a uma verdadeira iniciagao, a um trabalho de illuminagao politica de que ti- nham sido conductores os sacerdotes lidos em philosophia revolucionaria que foram os principaes agentes, propagado- res e martyres d essa revolugao de padres, o que pelo menos no Brazil d aque/lla epocha significava uma revolta da intelli- gencia.

Tanto foi a insurreigao de 1817 um movimento muito mais de principles que de interesses que Tollenare, especta- dor e chronista insuspeito d elle, nao aponta sequer entre as suas causas razao alguma economica. Apenas Ihe descobrio

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