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872 DOM JOAO VI NO BRAZIL

que nunca seria outro dos officios de Marialva, grande satisfacgao a casa de Habsburgo-Lorena, na qual abundavam as Archiduquezas. A nobreza da casa de Braganga, a vasti- dao e apregoada riqueza do Imperio Portuguez, a propria garbosa pessoa do noivo, que ja em 1803 dizia a duqueza de Abrantes ser a unica cara bonita n um concurso monstro de fealdades em que cabiam os primeiros premios ao Principe Regente e a Dona Carlota, faziam pelo prisma palaciano o consorcio parecer particularmente auspicioso.

Ficou viva entre nos a tradigao da extraordinaria do gma da Imperatriz Leopoldina: sua intelligencia e instru- cgao constant das memorias do tempo. Assim que ficou decidido seu casamento entrou, com toda a consciencia de uma boa allema que toma ao serio suas obrigagSes, a estudar nao so a lingua portugueza, como a historia, geographia, producgoes, etc., do.paiz que ia adoptar. Especialmente affei- goada a mineralogia e a botanica, logo fallou em carregar para o Rio uma collecgao mineralogica e acclimar no Brazil differentes plantas europeas, exultando com a certeza que, na sua mendacidade corteza, Ihe deu sem titubear Marialva, de que o Principe Dom Pedro tambem se dedicava com fervor a semelhantes estudos.

Dos estudos amaveis a que de preferencia se entregava o fogoso mancebo nao disse palavra o cauteloso embaixador e foram esses que entristeceram e consumiram a vida da excel lente Archiduqueza que, para afastal-os, nem em si possuia o recurso da formosura. O propiio Marialva, com todo o seu cavalheirismo, nao ousava referir-se a sua belleza : limitava-se a escrever que em sua presenga resplandece a soberania a par da mais rara bondade" ( I ) .

��(1) Archive do Ministerio das Relagoes Exteriores.

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