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944 DOM JOAO VI NO BRAZIL

xismo da crise, que justificariam sua attitude. Pois da mesma forma que resolveu e preparou com tempo sua partida para o Brazil para o caso que se verificou, e que so os irresponsa- veis podiam deixar de prever dada a marcha dos aconteci- mentos politicos e perante o proceder de Napoleao com rela- cao as velhas monarchias da Europa, reflectio Dom Joao maduramente na questao do regresso com a paz geral.

Pesou elle perfeitamente que a residencia prolongada no Brazil ate constituia uma melhor garantia da indepen- dencia de Portugal do que o apoio interesseiro da Gra Bretanha, porquanto as colonias hespanholas, luctando ainda desesperadamente pela emancipagao, serviam de excellente penhor do recolhimento da metropole, a qual bem compre- hendia que Portugal tentaria engrandecer-se na America do Sul do que perdesse na Peninsula.

Era Dom Joao VI por demais intelligente para nao des- cobrir que a integridade portugueza, uma vez roposta a nor- malidade na Europa, era do interesse de todos, nao so do gabinete de Saint James : o que provou mais tarde quando procurou que, em Laybach, as grandes potencias conjuncta- mente garantissem a inviolabilidade do seu velho Reino amotinado e ingado de iberismo democratico. Os alliados por- tuguezes quasi nao precisavam ser solicitados n esse ponto. Eram espontaneos e naturaes, nao podendo qualquer dos factores europeus de importancia aspirar a destruir o equi- librio de fronteiras e de ideas restabelecido em Vienna.

Ja no seculo XVIII escrevia o abbade Raynal que nunca a politica previdente, inquieta e suspicaz d aquelle seculo supportaria que todos os thesouros do Novo Mundo cahissem nas mesmas maos, ou que uma casa reinante, vindo a dominar so na America, ameagasse a liberdade da Europa.

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