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972 DOM JOAO VI NO BRAZIL

uma combinaqao espaventosa de setins e velludos, ornatos de ouro e prata, brocades raros e fitas garridas.

O ultimo dos prestitos religiosos sahia da Capella Real levando a imagem da Virgem e encontrava-se a meio cami- nho com a irmandade da Misericordia transportando Santa Isabel, mai de Sao Joao Baptista. Dava-se entao na rua e ao natural a scena da Visitagao : as duas imagens tocavam-se e beijavam-se, seguindo juntas para a Misericordia onde, reunida no interior da egreja a directoria d esta instituigao pia, cuja opulencia e extensiva caridade acreditariarr. qual- quer socicdade, prestava conta publica da sua gerencia an nual.

Esta procissao da Visitagao era a festa municipal por excellencia, empunhando os camaristas o pallio, precedidos dos vereadores, maceiros e outros officiaes do Senado. Qual- quer das festas, porem, significava o templo da sua celebra- gao todo enfeitado pelos armadores com pannos de damasco carmezim, galoes de ouro e prata e guarnigoes de gaze pra- teada; illuminado pelos cirios dos castigaes e velas dos can- delabros, que faziam brilhar os vasos dourados, as cercadu- ras trabalhadas dos altares e os resplandores dos santos; per- fumado pelas hervas e ramagens espargidas sobre os tapetes ou sobre as lages, e pizadas pelos magotes de fieis que se api- nhavam presos de curiosidade, avidos de distracgao ou sa- cudidos de fervor religioso.

Fora das egrejas, as festas do culto traduziam-se por outras muitas manifestagoes, invariavelmente ruidosas e jo- viaes. Eram o foguetorio caracteristico dos prestitos e arraiaes portuguezes; os animados leiloes de prendas em beneficio do padroeiro; as cantigas e dangas variadas de gentes de variadas origens, casando-se o fandango com o batuque. Das

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