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970 DOM JOAO VI NO BRAZIL

seuntes e mandando-lhes diariamente a irmandade da Mise- ricordia, pelos calcetas destacados para esse servigo de abas- tecimento, sopa e farinha. O grande jantar da festa de Pen- tecostes era comtudo levado processionalmente de vespera a prisao, em carrogas atochadas de comestfveis, pelas irman- dades do Santissimo com seus estandartes erguidos, musica e grande acompanhamento.

A clemencia do Rei, denotando-se pelas constantes com- mutagoes de penas ultimas, raramente permittiu ao contrario que durante sua estada no Brazil cruzasse as ruas da capital o sinistro prestito dos condemnados a morte. Re fere Debret que em quinze annos de residencia no Rio apenas assistiu a duas executes, uma d ellas ja sob o Imperio e politica, tendo sido precise que se desencadeiassem as ferozes paixoes partidarias para que uma outra revolugao pernambucana, a de 1824, offerecesse pretexto a Dom Pedro I para fazer por assim dizer reviver, com o cortejo dos sentenciados d Es- tado, um espectaculo quasi desapparecido do theatre flu- minense.

Bern lugubre alias a scena. Caminhava o reo de alva, os pes descalgos, o crucifixo nas maos ligadas e a corda no pescogo, com as duas pontas para traz seguras, assim como a cauda da alva, por um dos dous carrascos, negros acorren- tados. Sustentavam o misero seus confessores e guardava-o a irmandade da Misericordia, que tomava conta do cadaver, para Ihe dar sepultura, depois que o atiravam abaixo da forca, onde elle se balougara espectral, de capuz puxado sobre o rosto, cavalgado nos hombros por um dos algozes, para fazer peso, no momento em que a corda se enrolava e o no se apertava. . . .

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