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DOM JOAO VI NO BRAZIL 979

a quern descobrisse os malfeitores, nao surtindo as mais das vezes effeito o recurso. Comtudo, a data do officio de Maler, havia 83 individuos presos e condemnados a pena capital por homicidio, alguns ate reincidentes, sem que se Ihes appli- casse a sentenga por falta de assentimento real.

Em condigoes taes de inseguridade, nao e de admirar que reinasse na capital, senao um terror negro, uma appre- hensao bastante forte de um levante da gente.de cor. Os atrozes feitos de Sao Domingos estavam ainda frescos nas memorias e no proprio Brazil, na Bahia, se dera "urn grande tumulto de negros" que causou grande susto e teye sua importancia. Dos historiadores penso ser Handelmann o unico que Ihe faz referenda, mas a correspondencia de Mar- rocos ( i ) suppre uma vez mais a falta e indica que o Rio ouviu com temor a relagao do occorrido em Sao Salvador.

elles matarao muitos brancos, e alguns erao

Negociantes; alguns soldados tambem forao mortos, assini como outros Negros, que nao queriao associar-se ao tumulto. Langarao fogo a muitos Engenhos, aos Armazens da pesca da Balea, e a mil outras partes, de maneira que se affirma que so a Fazenda Real perdera mais de 300$ cru- zados. He muito para se temerem alii estes acontecimentos ; porque tern os Negros a boa circumstancia de nao se unirem nas suas senzalas e ranchos, senao os filhos da sua mesma terra, e nao acompanhao, nem contrahem amizade com ou tros; e como he immensa a variedade de Nagoes delles (2), nao se unindo ellas, vem a ser os ranchos de cada huma pouco numerosos; isto succede aqui no Rio de Janeiro, onde entrao Negros de todas as Nagoes, e por isso inimigos huns

��(1) Carta ao Pai de 15 de Margo de 1814.

(2) IE precizo ter presente que nas escravarias de entao tS.o numerosos eram os negros creoulos quanto os africanos.

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