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1016 DOM JOAO VI NO BRAZIL

rara nao regressar mais e nutria a intengao de, depois de esgotar Portugal, ja tao depauperado em homens e em di- nheiro, trocal-o por uma das possessoes hespanholas da Ame rica, convertendo-se a dynastia bragantina n uma realeza exicLusivamente americana ( I ) .

O thermometro das esperangas regulava pelos traba- Ihos do palacio da Ajuda: segundo se acceleravam ou esta- cionavam, tinha-se a volta por proxima ou indefinkla (2). e todos a desejavam, excepgao talvez feita de certa classe de proprietaries que temiam novos impostos, portanto um ac- crescimo de encargos, com a presenga da corte n uma capital arruinada, nao so empobrecida.

Para o exercito e o povo, ahi se tratava de vaidade, di- ga-se mesmo de pundonor; de interesse local para os lojistas e de interesse geral para os armadores e vinhateiros, que estes sonhavam com o restabelecimento do monopolio mercantil brazileiro. Devesse muito embora a aboligao do exclusivo commercio nautico dos Portuguezes trazer como resultado, segundo pensavam alguns economistas da terra, desviar os capitaes e os bragos para a agricultura e as manufacturas, susceptiveis de grande desenvolvimento. Nao significava isto menos que urn manancial farto e facil de lucres havia sido estancado n uma occasiao, para mais, em que tudo se conspirara contra a riqueza nacional, ate a recrudescencia das piratarias argelinas e o apparecimento dos corsarios pla- tinos, acabando de esphacelar o compromettido trafico ma- ritimo.

Portugal expiava, so as velleidades imperialistas do Brazil, e as compensates que do Rio Ihe vinham chegavam

��(1) Officio de Lesseps de 28 de Fevereiro de 1818.

(2) Tollenare, parte inedita.

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