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Tange, tange, ó campanario
O teu tanger festival,
Que é hoje dia sagrado,
Dia do Santo Natal.


IV.


E a par d’hymnos sacros, que aos Céos s’elevavam,
O orgão na Igreja seu canto esparzia:
De Christo os Fieis suas preces oravam,
Clamando — Jesus! — Virgem Santa Maria! —

Depois longas trevas o Templo innundando
Com grave silencio, após tanto folgar,
Se via um mancebo piedoso rezando
Aos pés d’uma Cruz, que brilhava no altar.

Um Bardo esse era, vibrando na lyra,
Na lyra saudosa ignota oração
De su’alma emanada, que doce respira
Effluvios d’amor, de sagrada paixão.



Espontaneidades da minha alma, flourish, 29.png