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ESPUMAS FLUCTUANTES

E pede á sombra, p′ra aljofrar de orvalhos
A fronte azul da solidão nocturna.
E pede ás auras, p′rafagar os galhos
E pede ao lyrio, p′ra enfeitar a furna.

Pede ao olhar a maciez suave
Que tem o arminho e o edredon macio,
O avelludado da pennugem d′ave,
Que afaga ás plumas no palmar sombrio.

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E quando encontra sobre a terra ingrata
Um reverbero do clarão celeste,
— Alma formada de uma essência grata,
Que a lua doura, e que um perfume veste;

Um rir que nasce, como o broto em Maio,
Mostrando seivas de bondade infinda,.
Fronte que guarda — a claridade e o raio,
— Virtudes graça — o ser bondosa e linda...

Então, senhora, sob tanto encanto
Pede o poeta (que não tem renome)
— Versos — á briza p′ra vos dar um canto..
Raios ao sol — p′ra vos traçar o nome!...


Bahia, 26 de Janeiro de 1870.