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ESPUMAS FLUCTUANTES


A passos largos eu percorro a sala,
Fumo um cigarro, que filei na escola...
Tudo no quarto de Nini me falia,
Embalde fumo... tudo aqui me amola.

Diz-me o relógio, cynicando a um canto:
— Onde está ella que não veiu ainda? —
Diz-me a poltrona: por que tardas tanto?
Quero aquecer-te, rapariga linda. —

Em vão a luz da crepitante vela
De Hugo clarêa uma canção ardente;
Tens um idylio — em tua fronte bella...
Um dithyrambo — no teu seio quente...

Pego o compendio... inspiração sublime!
P′ra adormecer... inquietações tamanhas.
Violei á noite o domicilio, ó crime!
Onde dormia uma nação... de aranhas...

Morrer de frio quando o peito é braza...
Quando a paixão no coração se aninha?!
Vós, todos., todos, que dormis em casa,
Dizei se ha dòrque se compare á minha l.

Nini! o horror deste soffrer pungente
Só teu sorriso neste mundo acalma...
Vem aquecor-me em teu olhar ardente...
Nini! lu ós o cache-nez desfalma.