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ESPUMAS FLUCTUANTES

Tua voz é a cavatina
Dos palacios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento;

E como em noites de Italia,
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora,
Que o horizonte enrubesceu.
— Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céo;

Nas tempestades da vida,
Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada
Ao tibio clarão da lua.
Que ao murmurio das volupias
Arqueja, palpita núa:

Como é doce, em pensamento,
Do teu collo no langor.
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor?!