Página:Evocações.djvu/28

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Altiva e alta, com o sentimento frio do marmore das Imagens amarguradas, fluiam-lhe da voz, quando raramente fallava, scysmativas dolencias, fundas nostalgias ennevoadas...

Mas, muda, na mudez das religiosas claus- traes, ficava então de uma belleza divinal e secréta, da excelsa resplandescencia sagrada dos Hostiarios.

E, quando erguia os cilios densos e setinosos e o clarão dos olhos brilhava, como que se evaporisavam d'elles chammas e musicas paradisiacas, uma espiritualisação a glorificava, effluvios de arôma, a leve irisação da graça.

Dominadôra, triumphal, na auréola do esplendor que a circumdava, parecia reinar n'um altar ethéreo, por entre os finos astros immortaes.

Fazia crêr que todos os sentimentos affectivos purificados, que todas as emanações originaes da terra, correriam, perpetuamente, em cortejos reverentes, a vêl-a passar, a beijal-a na epiderme de cêra, a veneral-a, emfim, com esse amor ideal, indelével, eterno, da natureza abstracta...

O perfume e a radiação da sua cabeça magestosa, astral, não fascinavam, não attrahiam apenas, mas idealisavam sempre — como se a Seraphica fosse a Apparição symbólica, surgindo de um fundo livido de lua, uma Santa Theresa,