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Farias Brito


seja. Nunca alcancei em coisa alguma vitórias ruidosas”.[1]

Humilde Farias Brito! Nem por isso deixou de ter discípulos, amigos fieis e, cada vez mais, admiradores sinceros. Bom, no sentido mais exato do termo, humilde como se fôra um cristão, — êle que não chegou a optar decisivamente entre budismo e cristianismo — indiferente à popularidade, Farias Brito constitue. na galeria dos nossos Grandes Mortos, certamente e sem a mínima hipérbole. uma das figuras de maior beleza moral. Dêle se pode afirmar que viveu as suas idéias. A harmonia entre o pensador e o homem é impressionante. Sabemos que infelizmente nem sempre foi, nem é assim, mesmo entre filósofos.

Não o quis em seu grêmio a Academia. Nem temos o direito de lhe perguntar, nem tem ela a obrigação de nos dizer quais as razões das suas preferências, por vezes inesperadas. Mas podemos todos reconhecer, sem azedume, que pode haver, e realmente há. vários caminhos para a Imortalidade, sem escalas obrigatórias.


  1. O momento mais feliz da minha vida — manuscrito publicado póstumo n’A ORDEM, ano XI, n. 14, Abril de 1931, pag. 198-200. Citamos pelo próprio original autógrafo, que devemos à gentileza da Família.