Página:GEHS - A familia em regimen communista - 1919 LCF.pdf/14

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com otoda a população de Samara, o extraordinario documento, dirigiu-se ao Club Anarchista para se informar, visto que lhe disseram que o “decreto” em questão era da autoria dos libertarios.

Os anarchistas, assim que viram approximar-se o jornalista perguntaram-lhe logo por Tom Money, Emma Goldman, Ben Retman e Alexandre Berkman — o que prova que nesta parte longínqua da Russia se está bem ao corrente do que vai pelo mundo.

Sobre o “decreto” os anarchistas protestaram contra elle com a mais viva indignação, assim como repelliram «a paternidade que o vulgo lhe attribuia. Mas este protesto não foi só verbal. Redigiram um manifesto, assignado pela Federação Anarchista de Samara, denunciando esse documento como uma provocação absurda e grosseira. E de facto. Como é que os anarchistas, que não admittem leis, nem decretos, nem poderes, haviam de ser autores dum trabalho daquelles?

Agora, que já se conhece toda a hystoria, chega-se a esta conclusão bastante comica: o decreto, que “horrorizou” todo o mundo, não tem autor! Os bolchevistas dizem que não é delles; e os anarchistas, a quem o vulgo attribue a paternidade delle, regeitam-n'o em absoluto e indignadamente. Logo, aquillo não é sinão uma “blague” para desacreditar e ridicularizar os adversarios.

Ha, porém, ainda uma conclusão a tirar. É a de que o “decreto" é obra dos propagandistas anti-bolchevistas, que têm dinheiro e meios em abundancia para o seu "trabalhinho".

Os bolchevistas e os anarchistas, longe de pensarem em “socializar” as mulheres, o que desejam é que tanto para ellas, como para os homens, haja inteira liberdade e independencia.

Agora, o que tem sua graça é que os jornalistas burguezes, em presença dum perigo imaginario, se revoltem tão indignadamente, quando defendem a ordem social presente, que engendrou, reconhece e legaliza a prostituição.”

É aqui está como se combate a Revolução russa: com calumnias e infamias... Mas de burguezes não se póde esperar outra coisa.

(De A. Aurora)

Porto, n. de 1-6-919