Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/322

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Até este momento a conferencia indicava que se chegaria a uma transacção tão breve como inesperada. Mas era necessario saír dos termos geraes e das demonstrações de mutua boa vontade na questão do infante. Devia o papa ceder desde logo neste ponto, e acceitar como conveniente e valida a nomeiação de D. Henrique ? Não o parecia, e novos motivos occorriam para elle assim pensar. Numa effusão de sinceridade, verdadeira ou simulada, Paulo iii revelou a D. Pedro Mascarenhas o que se passava. Chegara a Roma naquella conjunctura um hebreu português, trazendo novas supplicas dos conversos contra o infante. Elle proprio fora victima das usuaes violencias. Salteiado e retido no caminho por D. Henrique, espoliado dos papeis que trazia e reconduzido preso para Lisboa, conseguira illudir a vigilancia dos seus guardas e passar a Hespanha, d'onde viera implorar delle, summo pontifice, justiça e desaggravo para si e para seus opprimidos irmãos. Taes factos, no entender do papa, independentemente do que por si mesmos significavam, eram altamente offensivos para a sancta sé, impedindo-se por taes meios o recurso para ella em cousas de que lhe pertencia conhecer. Este facto citado pelo papa collocava o embaixador