Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/344

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havia contrahido com o novo papa, então cardeal Farnese, estreita amizade, e as humilhações porque o faziam passar eram incitamento assás forte para se aproveitar das circumstancias que o favoreciam. Não é de suppor que a affeição de Paulo iii fosse tão viva, que se lembrasse de um estrangeiro e ausente para o associar ao sacro collegio: o mais crivei é que o bispo ministro sollicitasse a promoção. Fosse como fosse, é certo que em dezembro de 1539 o papa creou D. Miguel cardeal, reservando a sua nomeiação in petto, isto é, deixando de a publicar, visto que D. Miguel estava ausente[1]. Em breve, um successo imprevisto pareceu vir facilitar ao bispo de Viseu a fruição da nova dignidade. Já dissemos que a principal causa por que D. João iii oppunha viva resistencia á elevação ao cardinalato de qualquer dos seus subditos era a invencivel repugnancia que tinha a que algum delles podesse hombreiar com o infante

  1. Oldoino, nas addições a Ciacconio (Vitæ Pontif. vol. 3, col. 676), affirma que dos monumentos do Vaticano consta ter sido feita a eleição de D. Miguei da Silva no consistorio secreto de 12 de dezembro de 1539, conservando-se in petto até 2 de dezembro de 1541.