Página:Herculano, Alexandre, História da Origem e Estabelecimento da Inquisição em Portugal, Tomo II.pdf/348

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a respeitar um salvo-conducto só valido em Portugal. Effectivamente, as ordens para o prenderem tinham-se enviado por toda a parte[1] . A' astucia oppôs uma audacia que não excluia a dissimulação. Escreveu a D. João iii, declarando que com rendida submissão voltaria á patria, se lhe dessem carta de seguro, não d'elrei, de quem se não temia, mas dos seus inimigos. Mais de uma vez fora ameaçado de morte, até na presença do monarcha, por pessoas a quem não podia dar condigna resposta[2]. A sua vida carecia de segurança; a sua honra de desaggravo. Os apontamentos das providencias que requeria para regressar eram taes, que pareciam impossoveis de conceder: o seguro real seria contra todos os

  1. Risposta de D. Michele, l. cit., f. 97.
  2. Acaso eram os proprios infantes: «che uno di quelli miei nemici in presenza di S. A. e senza reverenza alcuna, aveva detto contra di me che un giorno aveva a diventar donnola per iscanare un vescovo, e che non l'aveva fatto insino allora, non per rispetto delle, scommuniche, ma di S. M., e che ancora non sapeva quel che farebbe: e che altro disse a me, parlandomi dei mio venire a Roma ai concilio, che se io mi partivo, egli con sue proprie mani mi ammazzarebbe: e erano persone a chi io non potevo rispondere»: Ibid. f. 98.