Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/100

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o jornaleiro, enfim do que todo mundo – católico, bem enten­dido, – à exceção do soldado, do escravo e outros miseráveis, para os quais não há domingo nem dia santo, e do imperador, do duque, do frade e outros, para os quais todo o dia é dia santo.

Eis a razão por que se escolhem de ordinário as tardes e as noites de sábado para os casamentos, batizados, bailes, concertos, espetáculos, enfim para tudo quanto é regozijo.

No largo da matriz da Franca havia mais um motivo para a efervescência da alegria e do prazer.

Celebrava-se nesse dia com muita pompa e arrojo o casamento de uma moça pertencente a uma das mais ricas e distin­tas famílias da Franca. Os sinos repicavam alegre e incessantemente entre as mãos de encarniçados rapazes; uma imensidade de foguetes e girândolas estouravam nos ares, e toldavam a atmosfera com uma abóbada de fogo e fumo. À porta da igreja restrugia uma numerosa banda de música. Na igreja, pelo adro, pelas ruas não se via senão gente alegre, alardeando asseados e garridos trajes domingueiros, pois em toda a vila não ficou uma pessoa, que pusesse gravata ao pescoço, que não fosse convidada. Parecia aquele noivado uma festa pública, e fazia recordar as bodas de Gamacho.