Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/166

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ter-se de impaciência; puxava o nariz, sustinha-se ora num pé ora noutro, fungava, trincava os dentes, e fazia mil trejeitos.

– Oh! isto é demais! prorrompeu ele enfim depois de um curto silêncio; – pois quando ainda ontem meu tio acaba de me chamar para tratar de meu casamento e abreviar esse ne­gócio, agora é que o senhor vem com toda a frescura do mundo querer arrancar-me a minha noiva?

– Não é vontade minha só, senhor Roberto: é também a vontade dela e o desejo mais ardente de seu tio...

– E o senhor já se esqueceu que jurou que nunca em tempo algum serviria de estorvo ao meu casamento? é bom modo esse de cumprir um juramento.

– Jurei, é verdade; esse juramento hei de cumpri-lo, se o senhor tiver a alma tão empedernida, que não queira deso­brigar-me dele.

– Está já lhe dando um bonito cumprimento!... quem o chamou cá? que motivo o trouxe aqui, senão o desejo de me estorvar?...

– Engana-se. Meus negócios aqui me chamaram, e eu não jurei de não pôr os pés nesta casa.

– Se Paulina lhe quer tanto bem, como diz, devia saber que sua presença já era um estorvo.

– Eu estou sempre presente no coração dela, senhor