Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/195

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um fio de barbante, pescam não só os pequenos bagres e pirapitingas, como os corpulentos dourados e curumatãs, e o jaú, que atinge às vezes o tama­nho de um homem de alta estatura, e tem a força de um touro. Apenas o peixe ferra a isca, e que o índio o per­cebe fisgado, em vez de procurar puxá-lo à terra, salta na água e dá-lhe corda, acompanhando-o em todas as voltas que lhe apraz dar pelo rio, tenteando a corda de modo que não se quebre, como quem tempera as rédeas a um poldro bravio e fogoso. A própria força do peixe arrasta o índio e o ajuda a romper as águas sem fatigar-se muito, e assim ora pairando à flor do rio, ora cortando-o veloz como uma seta, ora sumindo-se nos escuros abismos, o índio acompanha todos os seus movimentos, até que o peixe extenuado de cansaço se deixa facilmente arrastar para a praia.

Depois de ter gasto cerca de meia hora naquelas evolu­ções, o índio surgiu à praia agarrando pelas guelras com ambas as mãos e arrastando a custo um enorme peixe que media a altura de seu corpo, e ainda a cauda vinha abrindo um sulco pela areia, e dirigiu-se à sombra onde se achava a linda caboclinha.

– Uff!... Jupira!... – exclamou largando o peixe e deixando-o estourar no chão; – sei que não