Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/210

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é forte e te quer muito bem. Vai com ele, minha filha.

– Se minha mãe teima, eu irei lançar-me na lagoa dos sucuris retorquiu a menina com firmeza.

A lagoa dos sucuris era um banhado, que por ali havia e onde existia enorme quantidade desses formidáveis répteis. Quem nela caía era irremissivelmente devorado pelos mons­tros. Jurema sabia, que sua filha era bem capaz de pôr em prática a sua ameaça, e disse ao cacique:

– Estás ouvindo, Baguari? – ela não te quer ainda. É que ainda não é tempo. Espera ainda, Baguari;... mais tarde...

– Cala-te, filha de Anhangá! – bradou o índio rugindo e batendo o pé com força – não quero mais te escutar, boici­ninga enganadora... ou hoje ou nunca!...

Ouvindo os gritos e vendo a atitude ameaçadora do cacique, os outros bugres, que estavam de alcatéia, aproximaram-se de arco e flecha em punho, murmurando palavras de ameaça. Baguari lançou-me de revés um furibundo olhar, sol­tou um rugido de raiva e de despeito, e retirou-se vagarosa­mente rosnando como um tigre enfurecido.

Vendo que nem por bem, nem por violência lhe era possível obter a posse da virgem indiana, Baguari