Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/29

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Estava-se abrindo uma vasta roça no meio de uma mata virgem na fazenda de que acabamos de falar; isto há de haver mais de quarenta anos. Era ocasião da derribada; a foice já tinha ceifado e desbastado o mato miúdo, as taquaras e cipós, que emaranhavam a floresta. Os troncos robustos e colossais da peroba, da canjerana, da paineira, do cedro e do ipê ostentavam-se nus, e campeavam desafogados aqui e aco­lá, como colunas que ficaram em pé de um templo cujos tetos e paredes desabaram. Mas era mister também deitar por terra esses gigantes de vegetação, que com suas cúpulas imen­sas ensombravam o terreno da plantação, e roubavam a seiva ao solo. Contra cada um deles investiam dois ou três vigorosos e truculentos negros brandindo pesados e possantes machados. Nus da cintura para cima luziam-lhes as espáduas musculosas banhadas em