Página:Historia e tradições da provincia de Minas-Geraes (1911).djvu/84

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este sereno da tarde sempre me faz calafrios. É bom que me recolha. Boa-noite, sr. Eduardo.

Roberto, que com suas algazarras e proezas com os bois nada tinha conseguido no intuito de perturbar o colóquio de Eduardo e Paulina largara o laço, e saindo sem ser notado para fora do curral, e cozendo-se com a cerca do mesmo viera sutilmente postar-se junto deles, de modo que sem ser visto podia otimamente espreitá-los e escutá-los. Chegou justa­mente a tempo de ouvir clara e distintamente aquelas palavras de Eduardo – Amo-a muito; amo-a sincera e ardentemente, e nunca, nunca hei de deixar de amá-la. – Supõe para logo que eram dirigidas a sua prima, e não quis ouvir mais. Desta vez não pôde conter-se, rangeu os dentes enfurecido, e sem atender a consideração alguma puxou pela faca, que sempre trazia à cinta, e ágil como um gato saltou de um pulo para dentro do curral.

Exatamente no instante, em que Roberto de faca em punho saltava a cerca e avançava furibundo para os dois, um troço de gado, que os campeiros estouvadamente escaramuçavam pelo curral, entrava atropeladamente por baixo da gameleira e amea­çava envolver em seu turbilhão a pobre Paulina no momento em que tendo-se despedido de Eduardo se ia retirando. Ro­berto vendo o iminente perigo que corria