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TRADIÇÃO GALANTE DE D. MIGUEL


Outras testemunhas oculares fornecem depoimentos que podem servir de contestação a este. Guilherme de Eschwege era um ferrenho adversario de D. Miguel de Bragança e, para nol-o pintar horrendo de alma, deixa em silencio os actos que podem igualmente deslustrar o caracter de D. Pedro. Escreveu quando D. Miguel reinava em Portugal, isto é, escreveu para combatel-o como adversario irreconciliavel. É preciso que esta consideração entre em linha de conta.

Mas que subsidio nos póde fornecer o seu livro para uma ligeira monographia sobre a tradição galante de D. Miguel?

Eis o que importa saber.

Pequeno subsidio recebemos do opusculo do barão de Eschwege; sem embargo, a biographia galante do filho predilecto de D. Carlota Joaquina não carecia d'elle.

Diz-nos que D. Miguel não teve como rei nem como infante uma favorita, posto que em Vienna d'Austria se pensasse que a tivera. Gosta muito de variar, o que não pouco contribuiu para o engrandecimento do visconde de Queluz. São palavras do opusculo. Depois Eschwege conta que o visconde de Queluz fôra barbeiro, e que n'essa qualidade assistira ás enfermidades secretas de D. Miguel.

Noticía que as damas abundavam na côrte, durante os annos em que D. Miguel reinára; que nos serões do paço se faziam representações, n'uma das quaes o rei desempenhára o papel de D. Quichote, e