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MAXIMILANO EM PORTUGAL


culo no theatro de S. Carlos, que, apesar das suas amplas dimensões, considera inferior ao San Carlo de Napoles.

Exhibia-se n'essa noite o panorama do Mississipi, que tinha já feito, diz Maximiliano, le tour du monde.

Ao passo que o panorama se desenrolava lentamente, a rainha conversava com seu primo o archiduque, fallando-lhe com saudade do Brazil, onde nascêra. Maximiliano estranha que D. Maria II exprimisse tamanho enthusiasmo por um paiz, como o Brazil, onde o calor é intenso. E observa: qualquer que seja o paiz em que se nasceu, o amor á patria é sempre o mesmo! Esta observação fica muito áquem dos meritos litterarios do archiduque. É de uma banalidade que lhe não faz honra.

Fallou-se tambem de Lisboa, de Portugal. D. Fernando citou com louvor o livro do principe de Lichnowsky[1], o unico que tinha por exacto, parecendo, diz Maximiliano, fazer pouco caso do que a condessa Hahn-Hahn escreveu sobre o mesmo assumpto.

A rainha mostrou-se resentida da surpreza com que a condessa viu na camara real o bastidor em que sua magestade costumava bordar. Uma pessoa que governa, havia dito a condessa, não deve occupar-se de taes coisas. A rainha, que é uma mulher da sua casa (une femme d'intérieur), diz o archidu-

  1. Recordações de Portugal.