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DUAS IMPERATRIZES


Deve ser interessantissima, mas, nas mãos da imperatriz, é uma arma partida. Não é preciso que a doblez dos caracteres se affirme por documentos: essa prova é inutil. Todos sabemos como em todos os tempos e lugares o caracter humano varía com a altura do sol. Mas no occaso da sua grandeza, a imperatriz ainda conseguia encontrar algumas dedicações inabalaveis. Citarei desde já dois nomes: o duque de Bassano, e mr. Rouher.

A imperatriz teve, na politica imperial, uma acção energica. O general Trochu attribue-lhe a desgraçada operação franco-hespanhola do Mexico, que desacreditou o imperio, e a desastrosa guerra de 1870, diante da qual Napoleão III recuava instinctivamente.

Mas, sob o ponto de vista politico, Trochu, apesar de ter procurado defender-se no tribunal do Sena, e n'um grosso volume, que tenho presente, de todas as accusações que o Figaro fizera ao governador de Paris, Trochu, repito, é um pouco suspeito.

A imperatriz viu sempre n'elle um orleanista. Não sei se tinha razão. Mas a impressão que me ficou de todo o livro de Trochu, um enorme volume de mais de 500 paginas, é que a imperatriz foi muito abandonada, na hora do perigo, pelos elementos officiaes que tinham feito a sua carreira á sombra das Tulherias. Só o almirante Jurien se offereceu para acompanhal-a; só madame Mebreton Bourbaki a acompanhou. O maior auxilio recebeu-o de dois estrangeiros: o embaixador de Austria, principe de Metternich, e o embaixador de Italia.