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HISTORIAS DE REIS E PRINCIPES


saram-se, em torno da recordação do cadaver do pai, todos estes lugubres accessorios, que as lagrimas e os clamores da mãe a cada momento renovavam.

Quando a noticia chegou a Portugal, outra mãe, D. Brites de Sousa, esquecendo na sua dôr as infidelidades do marido, recordou a João da Silveira, seu filho, a historia lacrimosa do pai. Era então menino de poucos annos João da Silveira, mas a recordação do pai, sempre avivada pela narrativa da viuva, fez-lhe grave e triste o caracter. Demais a mais, João da Silveira herdára o talento poetico do pai. Foi, mais tarde, um dos glosadores dos serões da côrte, e um dos poetas do Cancioneiro de Garcia de Rezende.

Educou-o a expensas suas D. Diogo Lobo, seu tio, e tambem poeta.

D. Manoel, subindo ao throno, tratou de rehabilitar os conspiradores. A Fernão da Silveira rehabilitou-o na pessoa do filho legitimo, que começou a sua carreira publica por ir servir em Çafim. João da Silveira chegou a ser commendador de Montalvão, governador de Ceylão, trinchante de D. João III, e seu embaixador em França. Morreu em Evora, e foi sepultado na capella do Espinheiro.

Os dois filhos de Fernão da Silveira nunca se deram. A bastardia de um explica naturalmente o facto. Izabel Rodrigues, recolhendo a Portugal, não recorreu á protecção de D. Brites de Sousa, nem D. Brites de Sousa lh'a offereceu.