A Arnaldo Damasceno Vieira
Reclus, na sua Geographia Universal, tratando do Brasil, notava a necessidade de conservarmos os nomes tupys dos logares de uma terra. Têm elles, diz o grande geographo, a vantagem de possuir quasi todos um sentido claro, muito claro, nas suas palavras, exprimindo algum facto da natureza, a côr das aguas correntes, a altura, a forma ou o aspecto dos rochedos, a vegetação ou a aridez da região. No Rio de Janeiro, ha de facto nomes tupys tão eloquentes, para traduzir a forma ou o encanto dos logares que ficamos pasmos, quando lhes sabemos a significação, com o poder poetico, com a força de emoção superior de que eram capazes os primitivos cannibaes habitantes desta região, diante dos aspectos da natureza tão bella e singular que é a que cerca e limita a nossa cidade. Bastam os nomes da bahia. Como não traduz bem a sua seducção, o seu recato, a sua fascinação, o nome: Guanabara — seio do mar? E se o mar abriu aqui um seio foi para nelle esconder as suas aguas — Niteroy — agua escondida.