Esses nomes tupys, nos accidentes naturais das cercanias da cidade, são os documentos mais antigos que ella possui das vidas que aqui floresceram e morreram. Edificada em um terreno que é o mais antigo do globo, nos depósitos sedimentares das velhas regiões, até hoje não se encontram vestigios quaisquer da vida prehistórica. A terra é velha, mas as vidas que viveram nella, não deixaram, ao que parece, nenhum traço directo ou indirecto de sua passagem. Os mais antigos testemunhos das existências anteriores ás nossas, que por aqui passaram, são esses nomes em linguagem dos indios que habitavam estes logares; e são assim bem recentes, relativamente.
Ha, parece, na fatalidade destas terras, uma necessidade de não conservar impressões das sucessivas camadas de vida que ellas deviam ter presenciado o desenvolvimento e o desapparecimento. Estes nomes tupaicos mesmo tendem a desapparecer e todos sabem que, quando uma turma de trabalhadores, em excavações de qualquer natureza, encontra uma igaçaba, logo se apressam em partil-a, em destruil-a como cousa demoniaca ou indigna de ficar entre os de hoje. A pobre talha mortuaria dos tamoyos é sacrificada impiedosamente.
Frageis eram os artefactos dos indios e todas as suas outras obras; frageis são tambem as nossas de hoje, tanto assim que os mais antigos monumentos do Rio são de seculo e meio; e a cidade vae já para o caminho dos quatrocentos annos.
O nosso granito vetusto, tão velho quanto á terra, sobre o qual repousa a cidade, capricha em querer o fragir, o pouco duradouro. A sua grandeza e a sua antiguidade não admittem rivaes.
Ainda hoje esse espirito do logar domina a construcção dos nossos edifícios publicos e particulares, que estão a rachar e a desabar, a todo o instante. E’ como se a terra não deseje que fiquem nella, outras creações, outras vidas, senão as florestas que ellas gera, e os animaes que nestas vivem.
Ella as faz brotar, apezar de tudo, para sustentar e osten-