tar um instante, vidas que devem desapparecer sem deixar vestigios. Extranho capricho…
Quer ser um recolhimento, um logar de repouso, de parada, para o turbilhão que arrasta a creação a constantes mudanças nos seres vivos; mas só isto, continuando ella firme, inabalavel, gerando e recebendo vidas; mas, de tal modo que as novas que viérem, não possam saber quaes foram as que lhes antecederam.
Desde que as suas rochas surgiram, quantas formas de vida ella já viu? Innumeras, milhares; mas de nenhuma quiz guardar uma lembrança, uma religião[errata 1], para que a Vida não acreditasse que podia rivalizar com a sua eternidade.
Mesmo os nomes indios, como já foi observado, se apagam, vão se apagando, para dar logar a nomes banaes de figurões ainda mais banaes, de fórma que essa pequena antiguidade de quatro seculos desapparecerá em breve, as novas denominações talvez não durem tanto.
Nenhum testemunho, dentro em pouco, haverá das almas que elles representam, dessas consciencias tamoyas que tentaram, com taes appelidos macular a virgindade da incalculavel duração da terra. Sapopemba, é já um general qualquer, e tantos outros logares do Rio de Janeiro, vão perdendo insensivelmente os seus nomes tupys.
Inhaùma é ainda dos poucos logares da cidade que conserva o seu primitivo nome caboclo, zombando dos esforços dos nossos edis para apagal-o.
E’ um subúrbio de gente pobre, e o bonde que lá leva, atravessa umas ruas de largura desigual, que, não se sabe, porque, ora são muito estreitas, ora muito largas, bordadas de casas e casitas sem que nellas se depare um jardinsinho mais tratado ou se lobrigue, aos fundos, uma horta mais viçosa. Ha, porém, robustas e velhas mangueiras que protestam contra aquelle abandono da terra. Fogem para lá, sobretudo para seus morros e escuros arredores, aquelles que ainda querem cultivar a Divindade como seus avós. Nas suas redondezas, é o logar das macumbas, das praticas de feitiçaria com que a theologia da policia implica, pois