Página:Horto (1910).djvu/221

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Mas Sylvio voou sorrindo
À pátria que a glória encerra...
Era um anjo meigo e lindo,
E os anjos não são da terra.

Nossa Senhora é que os leva
Aqui do mundo mesquinho;
Quer vê-los, longe da treva,
Brincando com o seu filhinho.

Quando se vai n’um sorriso
Uma criança adorada,
Ao chegar ao Paraíso,
Diz uma lenda encantada.

Jesus lhe entrega, risonho,
Para a salvar do martírio,
Duas asas da cor do Sonho
E um pequenino círio.

Mas, se a mãe padece tanto
Na terra, sempre chorando,
Molham-se as asas de pranto
E o círio vai-se apagando.

Então o pobre do anjinho
Já não procura brincar,
Soluça a um canto sozinho
Porque não pode voar.