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HORTO


E, quando a tarde vier deixando
Nos labios todos saudosos ais,
E a pobre santa falar chorando:
« A minha neta não volta mais? »

Dizei sem prantos: « A tarde é linda...
Anda nos campos, brincando ainda. »

Livrai su’alma do frio açoite
Das ventanias que traz o Inverno...
Cerrai-lhe os olhos, na grande noite,
Na noite immensa do somno eterno.

Anjo da guarda, de rosto ameno,
Mostra-me o trilho do Nazareno...

· · · · · · · · · · · · · · · · · · · · ·

E... adeus, ó lirios do meu sacrario,
Que eu vou subindo para o Calvario!

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