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HORTO

A hora triste já vem chegando
De nossa longa separação...
Que lança aguda vai traspassando,
De lado a lado meu coração!

Não adormeçam, meus bem amados,
Já vejo os cravos ensanguentados.

Longe, bem longe, naquelle monte.
Não brilha um astro de luz divina?
E’ o diadema de minha fronte,
E’ a esperança que me illumina!

A Cruz bemdita, que aterra o vicio,
Fogueira ardente do sacrificio.

Adeus, da vida sagrados laços...
Adeus, ó lirios de meu sacrario!
A Cruz, no monte, mostra-me os braços..
Eu vou subindo para o Calvario.

Ficai no valle, pobres irmãos,
Da vóvósinha beijando as mãos.

E si ella, inquieta, com a voz tremente.
Ouvindo as aves pela manhã,
Interrogar-vos anciosamente:
« Que é do sorriso de vossa irmã?

Dizei, alegres: « Foi passeiar...
Foi colher flores para o Altar. »