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HORTO


Assim, nas trevas do mundo impuro,
Brilham as almas dos desolados.

Mesmo das noites a mais sombria
Sempre conduz-nos á luz do dia. »

Ergui os olhos para o Céo lindo:
Vi-o boiando n’um mar de luz...
E, então, minh’alma, n’um goso infindo,
Chorando e rindo, disse a Jesus:

« Guia o meu passo, nos bons caminhos,
Na longa estrada cheia de espinhos.

Dá-me nas noites, negras de dores,
Uma Cruz santa para adorar,
E em dias claros, cheios de flores,
Uma creança para beijar.

Junta os meus sonhos, no Azul dispersos,
Desce os teus olhos sobre os meus versos...

E vós, amigos tão carinhosos,
Irmãos queridos que me adorais,
E nos espinhos tão dolorosos,
De minha estrada tambem pisais...

Velai commigo, longe da luz,
Que já levantam a minha Cruz.