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JORNAL DAS FAMILIAS.


— O mais breve possivel.

Os olhos da panthera ou da leôa sorprehendida no seu ninho não lançam mais vivos lampejos do que os que lançáram os olhos da moça encarando fixamente o deputado.

Esgueu-se de um salto como se tivesse sido mordida por uma vibora.

Olhou para seu pae com os olhos desvairados, e com voz argentina lhe disse.

— Meu pae, eu não quero casar com o senhor aqui presente.

— Porque minha filha?

— Porque não tenho para elle a menor inclinação.

Permitta-me que eu me retire, estou encommodada. E sem esperar resposta, sahio da sála.

O deputado, envergonhado pela decepção por que passára, aproximou a cadeira á do pae de Palmyra e disse-lhe ainda meio confuso.

— Insistamos, as moças são todas assim; com paciencia e doçura tudo se consegue.

— Duvido muito, senhor, disse a mãe de Palmyra; minha filha tem o caracter energico do avô: dizendo uma vez não, com consciencia de que o que diz é justo, nada a faz curvar.

— Mas minha senhora em materia de casamento, ás vezes as moças dizem que não e estão anciosas por ver realisar-se essa pretensão.

— Não duvido, disse a respeitavel senhora, toda a regra tem excepção.

O pae de Palmyra esse estava triste e calado.

Despedio-se o deputado levando a esperança de mais dia menos dia obter o sim da interessante e bella moça.


VI.

Mal acabava o deputado sem ventura de voltar a rua quando entrou o irmão de Nóla.

Tendo familiaridade em casa, foi para a sala de jantar, e meia hora depois disse em voz baixa a Palmyra : — Tenho uma carta reservada de maninha para a Senhora.

Palmyra deu-lhe as costas mas estendeu a mão e recebeu-a. Foi minutos depois le-la no seu quarto.

A carta era assim concebida :

«Fazenda do ..... em ... de 18..

Minha querida amiga,

Só agora te posso escrever, porque não quis confiar minhas cartas ao