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JORNAL DAS FAMILIAS.



XII.
DOIS ANNOS DEPOIS

O que soffreu aquella gentil donzella, não o pode descrever a nossa penna.

Para as feridas profundas do coração nem sempre o balsamo da consolação, pode attenuar-lhe as dores.

Palmyra foi definhando lentamente.

Parecia que sua alma, como o perfume de uma flor ia pouco a pouco se exhalando para o Céo.

Pallida e quasi resignada essa martyr do amor, em uma noite de luar esplendido, ao brando sopro da brisa exhalou o ultimo suspiro nos braços de sua mãe extremosa, apertando convulsa a mão de sua querida Nóla.

Momentos antes tinha ella obtido de sua santa e carinhosa mãe a promessa de ser enterrada ao lado da sepultura d’aquelle a quem unicamente amára.

Quando o sepulcro escondeu para sempre aquella exilada do céo, sua inconsolavel mãe recebeu uma carta com as seguintes palavras:

Epitaphio de um anjo.

Flor dos jardins sidereos
breve espaço
na terra vegetaste
anjo! foi te o mundo
indigno paço;

aos céos te remontaste.

Longo tempo esteve este epitaphio sobre a campa da gentil donzella até que foi substituido pelo de sua santa mãe, que descansa na mesma sepultura.

Nóla chora ainda hoje a perda de sua incomparavel amiga.

Para perpetuar-lhe a memoria, deu seu nome a sua idolatrada filhinha e nós escrevendo estas linhas prestamos uma homenagem a uma gentil e vertuosa patricia, que deixou a terra para ir ser talvez um d’esses bellos e puros ornamentos que ornam o throno do senhor do Universo.