Página:Luciola.djvu/92

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devia muitas finezas! Era ocasião de reparar a minha descortesia.

Mostrei a carta a Lúcia:

— Deve ir, respondeu adivinhando o meu pensamento!

— Entretanto tu renuncias aos teus divertimentos por minha causa. Por que não farei o mesmo?

— Essa partida não é só um divertimento para o senhor, é também um dever.

— Assim queres que vá me divertir sem ti?

— Não o posso acompanhar! disse ela com uma expressão que significava-um abismo nos separa.

Fui à partida, que esteve brilhante. Lá a encontrei, à senhora, e à sua filha, anjo que ainda não tinha batido as asas brancas, deixando viúvas a velhice e a infância de quem tanto amara neste mundo. Havia moças lindas e elegantes, que tornavam a dança verdadeiro prazer, e não sacrifício penoso, como sucede na maior parte desses saraus, em que o convidado é apenas um instrumento de quadrilha, compasso coreográfico, que se transforma na hora da ceia em máquina gastronômica.

A Sr.ª R..., com uma amabilidade que eu decerto não merecia, esmerou-se em tornar agradáveis as horas que passei em sua casa: apresentou-me a quanto havia ali de distinto pela beleza, pela inteligência e pela virtude; e com o tato fino da mulher de salão poupava-me as banalidades cerimoniosas das apresentações, fazendo-me entrar logo na conversação que animava com a sua graça e os seus repentes felizes. A filha, gentil moça de 17 anos, fez-me a honra de uma contradança e de algumas voltas de valsa.

Confesso que fiquei fazendo melhor idéia das reuniões dançantes da sociedade fluminense