Página:O Barao de Lavos (1908).djvu/99

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o leque, e a pequenina Ema, perdida a seriedade, se lhe abraçava aos joelhos, repetindo: — Toleirão! Toleirão!

Radiante da ovação, tressuava o coronel.

Foi o sinal da retirada. Entabularam-se as despedidas; e, com intermináveis combinações das senhoras junto da porta da escada, os convidados foram saindo, vagarosamente.

Daí a minutos, no coupé cortando rápido o Largo do Rato, o barão dizia para a esposa, malicioso, afetando a maior naturalidade:

— Sempre o Câmara. Estava hoje muito ridículo!

E a baronesa, caindo na armadilha:

— Não achei.
— Oh! meu Deus! Ainda querias mais? — insistiu o marido no mesmo tom despreocupado. — Uma flor como a roda de um carro, o cabelo lambido de fazer nojo, as calças pelos joelhos, e então no palavreado uma mayonnaise de francesismo e de tolices, capaz de inutilizar pela náusea o espírito de melhor blindagem contra a asneira. Safa!
— Vocês não podem ver um homem que dê na vista, é o que é... Tudo que sair do trivial, do comezinho, do amanuense ou do caixeiro, aterra e consome de inveja os banalões como tu.
— O contrário das mulheres... — observou o barão, ainda fazendo de tranquilo, mas com um ligeiro pique de azedume a travar-lhe a cristalinidade da expressão.
— Está claro! — acudiu ela com vivacidade. Mas de repente, vexada de se surpreender, ao ouvir as próprias palavras, na defesa calorosa do dandinoso