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Página:O precursor do abolicionismo no Brasil.pdf/158

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SUD MENNUCCI

“São Paulo, 13 de dezembro de 1880.

Meu caro Menezes

Estou em a nossa pitoresca choupana do Braz, sob ramas verdejantes de frondosas figueiras, vergadas sob o peso de vistosos frutos, cercado de flores olorosas, no mesmo logar onde, no começo deste ano, como arabes felizes, passamos horas festivas, entre sorrisos inocentes, para desculpar ou esquecer humanas impurezas.

Daqui, a despeito das melhoras que experimento, ainda pouco sáio á tarde, para não contrariar as prescrições de meu escrupuloso médico e excelente amigo, dr. Jaime Serva. Descanso dos labores e elocubrações da manhã e preparo o espírito para as lutas do dia seguinte. Este mundo é uma mitologia perfeita: o homem é o eterno Sísifo.

Acabo de ler na “Gazeta do Povo”, o martirológio sublime dos quatro Spártacos que mataram o infeliz filho do fazendeiro Valeriano José do Vale. E’ uma imitação de maior vulto da tremenda hecatombe que aqui se presenciou na heroica, a fidelissima, a jesuitica cidade de Itú, e que foi justificada pela eloquente palavra do exmo. sr. dr. Leite Morais, deputado provincial e professor considerado de nossa faculdade jurídica.

Ha cenas de tanta grandeza, ou de tanta miseria, que por completas em seu gênero, não se descrevem; o mundo e o átomo por si mesmos se definem; assim, o crime e a virtude guardam a mesma proporção; assim, o escravo que mata o senhor, que cumpre uma prescripção inevi