Quando, porem, por uma força invencivel, por um impeto indomavel, por um movimento soberano do instinto revoltado, levantam-se, como a razão, e matam o senhor, como Lusbel mataria Deus, são metidos no cárcere; e aí, a virtude exaspera-se, a piedade contrai-se, a liberdade confrange-se, a indignação referve, o patriotismo arma-se: tresentos cidadãos congregam-se, ajustam-se, marcham direitos ao cárcere: e aí (ó! é preciso que o mundo inteiro aplauda) a faca, a pau, a enxada, a machado, matam valentemente a quatro homens; menos ainda, a quatro negros; ou, ainda menos, a quatro escravos, manietados numa prisão.
Não! nunca! Sublimaram, pelo martirio, em uma só apoteóse, quatro entidades imortais!
Que! Horrorizam-se os assassinos de que quatro escravos matassem seu Senhor! Tremem por que eles, depois da lutuosa cena, se fossem apresentar á autoridade? Miseraveis; ignoram que mais glorioso é morrer livre, numa forca, ou dilacerado pelos cães, na praça pública, do que banquetear-se com os Neros, na escravidão.
Sim! Já que a quadra é dos acontecimentos; já que as cenas de horror estão na moda; e que os nobilíssimos corações estão em boa maré de exemplares vinditas, leiam mais esta:
Foi no municipio de Limeira; o fato deu-se ha dois anos.
Um rico e distinto fazendeiro tinha um criolo do norte, esbelto, moço, bem aparecido, forte, ativo, que nutria o vício de detestar o cativeiro: em tres meses fez