Página:O seminarista (1875).djvu/227

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— Que cruel recordação, senhora! que fatalidade! sim, esse primeiro juramento Deus o guardou escrito no livro do destino, e agora recebe o seu tremendo complemento!

— Era a vontade de Deus, devia cumprir-se...

— Mas em que transe, justo céu!... também eu havia jurado depois que nunca me havia de ordenar... fui perjuro... ordenei-me, perjurei-me de novo... ai... Deus!... tudo isto é o justo castigo de meus repetidos perjúrios.

— Perjúrio não, senhor padre, aquilo foi um juramento louco, que Deus não aceitou. Esta mão foi feita para o altar e não para mim, pobre desvalida; está muito bem empregada no serviço de Deus... deixa-me beijá-la.

Falando assim a moça tomava a destra de Eugênio, e a beijava inundando-a de lágrimas.

— Não chores assim, Margarida! disse com acento comovido e tornando a assentar-se à beira do leito. - Dizes que estás feliz e satisfeita, e me despedaças o coração com tuas lágrimas!

— Deixa-me chorar, Eugênio! - disse a moça abandonando-se insensivelmente à doce familiaridade de tempos mais felizes. - Deixa-me chorar, não fazes idéia de quanto estas lágrimas me fazem bem. Desde que te foste embora, nunca