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CASTRO ALVES


Da liberdade e do sol —
Jaz por terra... e lá soluça
Juarez, que se debruça
E diz-lhe: “Espera o arrebol!”

O quadro é negro. Que os fracos
Recuem cheios de horror.
A nós, herdeiros dos Gracchos,
Traz a desgraça valor!
Lutai... Ha uma lei sublime
Que diz: “á sombra do crime
Ha de a vingança marchar”
Não ouvis do Norte um grito,
Que bate aos pés do infinito,
Que vai Franklin despertar?

E’ o grito dos Cruzados
Que brada aos moços “de pé!”
E’ o sol das liberdades
Que espera por Josué.
São bocas de mil escravos
Que transformaram-se em bravos
Ao cinzel da abolição.
E’ — á voz dos libertadores
Reptis, que saltam condores,
A topetar n’amplidão!...

E vós, arcas do futuro,
Crysalidas do porvir,
Quando vosso braço ousado
Legislações construir,
Levantai um templo novo,
Porém não que esmague o povo,