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OS ESCRAVOS

      De tua inspiração.
O sol de tua gloria foi toldado...
Teu poema da América manchado,
      Manchou-o a escravidão.

Prantos de sangue — vagas escarlates —
Toldam teus rios — lubricos Euphrates —
      Dos servos de Sião.
E as palmeiras se torcem torturadas,
Quando escutam dos morros nas quebradas
      O grito de afflicção.

Oh! ver não posso este labéo maldito!
Quando dos livres ouvirei o grito?
      Sim.. talvez amanhã.
Galopa, meu cavallo, serra acima,
Arranca-me a este sólo. Eia! te anima
      Aos bafos da manhã.

Recife, 18 de Julho de 1865.



Cf. com dois manuscriptos, um do Dr. Augusto Alvares Guimarães, cm. por D. Adelaide de Castro Alves Guimarães, pbl. nas Poesias, Bahia (1913): V, e outro de Antonio Alves Carvalhal cm. por D. Elisa de Castro Alves Guimarães, em livro de versos do Poeta.