Página:Obras de Manoel Antonio Alvares de Azevedo v2.djvu/164

Wikisource, a biblioteca livre
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa


o laureado da realeza poética pela mocidade portuguesa. No drama, no poema, nas poesias fugitivas, isso que os Ingleses chamam poetry of the heart, o eloqüente orador, o publicista de tão bem escritos pamphlets, o Sr. Garret não foi só o homem rei dos poetas portugueses, foi também o sócio das glórias deles, aquele que do alto de seu sólio deu a mão aos talentos juvenis e do meio das platéias ergueu o laurel das esperanças. Como os grandes poetas de todas as eras, grande poeta de vários estros, fez diversas escolas. - Do Camões nasceu o D. Sebastião, o Encoberto do Sr. Abranches; da D. Branca da Adozinda e dos outros romances populares que ele revestiu de sua gala os Soldos do Sr. Freire de Serpa (a quem déramos também outra origem de inspiração nas Balatas de V. Hugo); o Romanceiro do Sr. Pizarro e M. Sarmento; os Soldos do Sr. A. P. Cunha e talvez a Noite do Castelo do Sr. A. F. de Castilho, esse venerável ancião cego como Ossian, Homero e Milton, às vezes grandioso no elevar de pensamentos alterosos, como uma sombra de Byron.

Eis aí porque o Sr. J. B. de ª Garret não é só o primeiro poeta português do século, o digno par do erudito Sr. Alexandre Herculano, mas também, segundo o autor contemporâneo dos Ensaios de Crítica, é umaliteratura.