Página:Obras poeticas de Claudio Manoel da Costa (Glauceste Saturnio) - Tomo II.djvu/223

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OBRAS POETICAS


E notara em seu sonho; então se admira
Inda mais Albuquerque, e crê que a idéia
Em um fingido objeto se recreia,
Figurando por força do costume
O Rio e a Serra, que encontrar presume.

Alegre se encantara nesta vista:
Mas notou (triste horror!) que da conquista
Embaraçava a entrada o vil partido
Dos conjurados Chefes, produzido
O exemplo do retiro de Fernando.
Tanto se atreve o insolente bando!

Encheu-se de tristeza, e o Gênio ativo,
Que atende a protegê-lo, logo um vivo
Esforço comunica ao nobre peito;
Antes que em fumo ou ar voe desfeito
De tanta idéia o quadro portentoso,
Quer declarar em tudo o misterioso
Teatro das imagens: vós agora
Influí-me uma voz alta e sonora,
Ninfas do pátrio Rio, com que eu possa
Cantar na glória minha a glória vossa.



CANTO VI


Na diáfana máquina presente
(Diz Filoponte) todo o continente
Vês, Albuquerque, das buscadas Minas.
São estas, são as regiões benignas,
Onde nutre a perpétua primavera
As verdes folhas, que abrasar pudera
Em outros climas o chuvoso inverno.
Dos mesmos Deuses o poder eterno
Não se atrevera a combater os montes